Viola Enciumada - Marco Brasil

Ei sanfona chorosa,
Sabe sanfona,
Vou contar uma história agora pra ocê,
De uma viola, uma viola ciumenta,
Anh, essa viola, Deus u livre guarde,

A viola de um amigo peguei emprestada
Pra testar seu som em uma gravação
Minha viola viu
ficou enciumada
Se soltou da parede e caiu no chão

Corri desesperado, abracei meu pinho
Por sorte ela não teve nenhum arranhão
Peguei ela no colo, com todo cuidado
Passei a mão nas cordas, fiz um ponteado
Vi que ela estava fora da afinação

Fiquei mais que preocupado
Com aquele acidente
O tombo de um instrumento
Mexe com o sentimento
Velho coração da gente

Eu tentei afinar e ela não deixava
Tudo por ciúme, ela magoou
Torci a tarraxa e a corda voltava. até que a ré quinta dela arrebentou.
Pus uma nova corda e arrebentou mais cinco
Até o cavalete dela descolou

Um jogo de cordas troquei por capricho
Salvei o cavalete pondo um rabicho
Fui fazer um ponteio e ela trastejou
Estranhei minha viola
Ela nunca foi assim

Fiz nela um carinho, mas a viola de pinho tava com raiva de mim
Ergui mais o rastilho, no ponto adequado
Deixei ela em cima do diapasão
Ela não trastejou, que som abençoado
Fiz um teste tocando uma moda do saudoso Tião

Tudo pode ser uma coincidência
Mas o acontecido foi uma lição
O ciúme dela me serviu de escola
E jamais eu vou tocar em outra viola
Pois viola é corpo, alma e coração

Eu pedi perdão a ela
Escrevendo essa canção
Não fiz nada que extrapola
Mas tocar em outra viola
Pra ela foi traição